terça-feira, 8 de agosto de 2017

Entrando em campo


          Mesmo há alguns anos nos EUA, meu Brasil não para de me dar alegrias.
          Ter um espaço como este no Estadão é muito mais do que mereço ou sonhei e, de coração, quero agradecer ao jornal pela confiança. Aos queridos leitores e amigos, conto com a compreensão e a paciência de vocês neste novo desafio.
          Nada como estrear junto com mais um título do Grand Prix da seleção feminina de vôlei e gostaria de parabenizar meu querido Zé Roberto e suas meninas de ouro. Nossas campeãs venceram a Itália por 3×2 ontem na China trazendo o título pela 12ª vez! Participei das três primeiras conquistas na quadra e ver que o vôlei brasileiro continua no topo é uma felicidade para mim!
          Foi um longo caminho de Lavras, no sul de Minas, até Los Angeles, cidade que cruzou meu caminho e que me acolhe há sete anos, testemunhando incontáveis idas e vindas ao Brasil nesse período. Hoje a Cidade dos Anjos aguenta pacientemente minhas crises de abstinência das quadras e ouve minhas histórias de amor pelo Brasil. Aqui sou a estudante de ciência política e arquiteta da UCLA, quase uma USP da Califórnia, e também a mãe orgulhosa do Gabriel e uma brasileira que tenta explicar para a minha família, vizinhos, clientes e amigos, um pouco do que acontece do lado de baixo do Equador.
          Além de universidades como a UCLA, a que mais emprega vencedores de Prêmio Nobel no mundo, grande parte da indústria do cinema e do audiovisual do planeta está aqui. É no Golden State também que se encontra o Vale do Silício, sede de empresas como Facebook, Apple, Google, Microsoft, Netflix, Twitter, Oracle, eBay, Intel, HP, Adobe, Dell, Sony, Electronic Arts, LinkedIn e Yahoo. Até aí, nenhuma novidade. O susto é quando se entende o que a atual geração de líderes empresariais está fazendo com todo o poder conquistado no país da liberdade e do empreendedorismo. O tal “progressismo” pode ser vil até na “land of the free and the home of the brave”.
          Um dos primeiros choques para qualquer estrangeiro ao chegar é descobrir que o politicamente correto e o “progressismo”, essa praga que infecta a política brasileira há tantos anos, tem na Califórnia seu olho de Sauron. Quem acha que está aterrizando numa meca do capitalismo logo percebe que as elites do estado formam uma casta de hipócritas que choram pelo fim do tal aquecimento global e por regulações que aumentam impostos e cortam empregos para o cidadão comum, enquanto poluem o ar e o mar com seus jatinhos e iates, e refrigeram suas mansões consumindo mais energia que o necessário para iluminar um vilarejo na África.
          Uma grande parte do que o mundo entende por indústria cultural e tecnológica, incluindo seus principais meios e canais de distribuição de informação, tem origem na Califórnia, estado mais populoso do país, e o que acontece politicamente por aqui costuma ter reflexos planetários. Como moradora, posso garantir que isso não é exatamente uma boa notícia para o futuro do Ocidente.
          A Califórnia já foi fiel aos ideais que construíram os EUA com uma respeitável história de alternância de poder e pluralismo, mas hoje sua guinada para a esquerda parece irreversível. O estado que deu dois mandatos de governador para Ronald Reagan (1967-1975), pavimentando o caminho de um dos grandes presidentes da história para a Casa Branca, é hoje uma mera lembrança. A vitória de Arnold Schwarzenegger, um republicano “só no nome” que governou como democrata, serviu como canto da sereia da sanidade na política californiana. O atual mandatário, Jerry Brown, é um esquerdista de fazer nossos petistas parecerem moderados.
          Idéias têm consequências. Por aqui, temos algumas das mais altas taxas de impostos do país, o que está afugentando empresas e investidores, incluindo a elite de Hollywood que faz filmes e discursos lacrimosos na festa do Oscar, defendendo apaixonadamente as pautas econômicas e sociais da esquerda, enquanto busca paraísos fiscais em outros estados. Matt Damon, Di Caprio, George Clooney ou Meryl Streep, como qualquer outro esquerdista, adoram impostos para os outros.
          Os centros de ensino mais importantes do estado, como a Universidade da Califórnia que frequento há 5 anos como aluna, são hoje palco das mais absurdas demonstrações de intolerância contra qualquer pensamento fora do que é permitido pela extrema-esquerda acadêmica. O campus de Berkley da UC, um dos mais conhecidos do mundo, é palco comum de atos de vandalismo contra palestrantes não-esquerdistas, numa escalada de violência que não pode mais ser ignorada e levanta questões muito sérias sobre esta geração de formandos que pode influenciar o mundo nas próximas décadas.
          Minha intenção neste espaço é discutir aberta e democraticamente o que acontece na vida cotidiana, nos esportes, e na política americana e brasileira, com uma perspectiva de quem acredita que muitas das experiências testadas por aqui podem servir de reflexão para que possamos aprender com erros e acertos dos dois países na busca de um futuro melhor para nós e para as próximas gerações.
          Sei que existe um interesse investido em parte da imprensa para caracterizar o governo Trump, que evidentemente tem falhas, e o atual momento dos EUA, como algo diferente do que é na verdade. Trump não é um presidente perfeito, mas existem mais viúvas de Obama entre o céu e a terra do que podemos contar. Como moradora, imigrante legal e cidadã americana, espero também poder fornecer aos brasileiros informações muitas vezes negadas ou distorcidas em nome de agendas políticas nestes tempos de pós-verdade. Visões binárias no estilo ou é Democrata ou é Republicano, ou é PT ou PSDB, não condizem com as reais necessidades para um amadurecimento político real. As boas idéias não entram no campo apaixonado da cega dicotomia dos gramados de futebol.
          Aceitei o desafio de escrever esse blog porque acredito que é preciso cultivar o debate público intelectualmente honesto, transparente e livre. Cabe a cada um de nós contribuir ativamente para a discussão sempre em busca da verdade acima das agendas partidárias e interesses imediatistas, especialmente num país com problemas tão complexos como o Brasil.
          O politicamente correto, nosso inimigo comum, não é só um expediente autoritário e rudimentar, ele serve de esconderijo para quem quer viver na Terra do Nunca e mascarar a própria imaturidade com uma capa falsa de tolerância.
          Aos bons e inquietos que acreditam que qualquer mudança só virá da responsabilidade individual e de uma opinião crítica e honesta, sejam bem-vindos. Nosso bloco está oficialmente na rua.

Por Ana Paula Henkel, ou Ana Paula do Vôlei. 



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terça-feira, 18 de julho de 2017

Colírio


Cíntia Rodrigues 
Resumo perfeito de delicadeza, talento e beleza.             

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quarta-feira, 14 de junho de 2017

LUZ NO FIM DO TÚNEL


          Depois do último assalto ocorrido na agência do Banco do Brasil de Francisco Santos, muito se tem especulado sobre a sua reabertura ou não. Tendo a sua inatividade provocado enormes prejuízos as comunidades que de alguma forma dependiam dessa agencia, casos de Campo Grande do Piauí, Monsenhor Hipólito, Santo Antônio de Lisboa e da própria Francisco Santos, que foram enormemente prejudicadas.

          O fechamento da agencia provocou grandes transtornos, além do enorme prejuízo financeiro para os clientes e principalmente, o comércio local que sente muito. Além das enormes dificuldades que aposentados, pensionistas, comerciantes, servidores públicos e privados que tem que se deslocar até as agências de Picos para sacar os seus salários, fazer depósitos e outras operações financeiras.


          Diante desse triste quadro do possível encerramento das atividades da agencia do BB de Francisco Santos, precisamos considerar que o seu fechamento não se deve apenas ao assalto ocorrido no início deste ano(03/02/2017), mas muito mais pela crise financeira que assola o país, que provocou o fechamento de aproximadamente 700 agencias de bancos em todo o Brasil. Tendo levado a nossa antes tão decantada agencia, que sempre esteve colocada entre as mais rentáveis do BB, a ser rebaixada a Posto de Serviços do BB, no final do ano passado.

          LUZ NO FIM DO TÚNEL

          Considerando que Francisco Santos é um município com grande potencial agropecuário, econômico e financeiro. E que o fechamento da sua única agencia bancária, provoca grandes prejuízos e deixa um enorme vácuo que precisa ser sanado.           
          Foi diante desse quadro que o Bradesco, maior banco privado do Brasil, passou a estudar a possibilidade de instalar um agência na cidade de Francisco Santos. Segundo fonte, com fortes ligações com o Bradesco, a superintendência do banco, vem considerando essa possibilidade, levando em consideração que o Banco do Brasil, praticamente descartou a possibilidade de reativar a Agencia do BB de Francisco Santos.

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Direitos e Deveres Humanos Universais


Francisco Miguel de Moura (Chico Miguel)
Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras


Não sei se deveria referir assunto tão batido quanto o dos Direitos Humanos. Debatido, mas tão complexo. Quase nada são observados os tais direitos fundamentais, principalmente nos países subdesenvolvidos e ainda tateando o desenvolvimento como o nosso Brasil. Mas, antes de tudo, vamos perguntar uma coisa importante, talvez primordial do gênero humano, tão desumano atualmente como nunca, pelo que se sabe da história recente:

- Os Deveres Humanos, quais são, quantos são, quem os cumpre rigorosamente? Por que não se falam neles, mas somente nos Direitos… Assim, passamos a registrar o que dizem os entendidos do assunto, informações colhidas nas páginas da internet, pois que hoje já não temos mais dicionários enciclopédicos como há bem pouco tempo. Cito a fonte primeira da minha pesquisa: a Wikipédia. No momento não há nada melhor. Mas, confesso, reescrevi nalgumas linhas para facilitar o leitor de jornal.

Direitos humanos são os direitos básicos de todos os seres humanos. São: 1) direitos civis e políticos: direitos à vida, à propriedade privada, liberdade de pensamento, de expressão, de crença, igualdade formal, ou seja, de todos perante a lei, direitos à nacionalidade, de participar do governo do seu Estado, podendo votar e ser votado, entre outros, fundamentados no valor liberdade. 2) Direitos econômicos, sociais e culturais: direitos ao trabalho, à educação, à saúde, à previdência social, à moradia, à distribuição de renda, entre outros, fundamentados no valor igualdade de oportunidades). 3 Direitos difusos e coletivos: direito à paz, direito ao progresso, à autodeterminação dos povos, direito ambiental, direitos do consumidor, direito à inclusão digital, entre outros, fundamentados no valor fraternidade. 

A ONU afirma que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.
A origem do conceito filosófico de direitos naturais seriam atribuídos por Deus. Alguns filósofos sustentam que não haveria nenhuma diferença entre os direitos humanos e os direitos naturais. E veem, na distinta nomenclatura, etiquetas para uma mesma ideia. Outros argumentam ser necessário manter termos separados para eliminar a associação com características normalmente relacionadas com os direitos naturais, sendo o filósofo John Locke talvez o mais importante a desenvolver esta teoria.

Os que defendem o UNIVERSALISMO dos direitos humanos se contrapõem ao RELATIVISMO CULTURAL. Estes afirmam a validez de todos os sistemas culturais e a impossibilidade de qualquer valorização absoluta desde um marco externo, que, neste caso, seriam os direitos humanos universais. 

Entre essas duas posturas filosóficas extremas situa-se uma gama de posições intermediárias. Muitas declarações de direitos humanos emitidas por organizações internacionais e regionais põem um acento maior ou menor no aspecto cultural e dão mais importância a determinados direitos de acordo com sua trajetória histórica. A Organização da Unidade Africana (OUA) proclamou em 1981 a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, que reconhecia princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 e adicionava outros que tradicionalmente se tinham negado na África, como o direito de livre determinação ou o dever dos Estados de eliminar todas as formas de exploração econômica estrangeira. Os estados africanos que acordaram a Declaração de Túnis, em 6 de novembro de 1992, afirmaram que não se pode prescrever um modelo determinado a nível universal, já que não é possível desvincularem-se as realidades históricas e culturais de cada nação e as tradições, normas e valores de cada povo. Em uma linha similar se pronunciam a Declaração de Bangkok, emitida por países da Ásia, em 23 de abril de 1993, e de Cairo, firmada pela Organização da Conferência Islâmica em 5 de agosto de 1990.

Também, contra à visão ocidental CAPITALISTA dos direitos humanos, centrada nos direitos civis e políticos, como a liberdade de opinião, de expressão e de voto, o BLOCO SOCIALISTA se opôs durante a GUERRA FRIA que privilegiava a satisfação das necessidades elementares, mas, por sua ideologia, suprimia a propriedade privada e a possibilidade de discordar e de eleger os representantes com eleições livres de múltipla escolha.

Mas, depois de todas as teorias e práticas, vamos perguntar, pela segunda parte deste artigo, uma coisa importante, talvez primordial do gênero humano, tão desumano atualmente como nunca, pelo que se sabe da história recente. Trata-se dos esquecidos DEVERES HUMANOS.

Quem não sabe quais são os DEVERES HUMANOS? Não me venham com lorotas e desculpas, etc. Todos nós sabemos que:

a) Não devemos fazer ao outro aquilo que não gostaríamos que eles fizessem com a gente. É ou não é verdade?

b) Só devemos fazer aos outros o que for o BEM, aquilo que está recomendado como mandamento de Deus, desde os mais antigos povos. Todos os que sabem ler e escrever, todos que ouvem rádio e televisão, veem a internet, já ouviram falam nas tábuas de Moisés, onde Deus escreveu os 10 (dez) mandamentos para o homem, entregando ao profeta para que ele distribuísse e ensinasse ao povo. E até hoje eles são mais do que válidos. “Guardai os mandamentos de Deus e estais respeitando o próximo e o próprio Deus, o Criador do Universo”. 

Mas, alguém pode dizer assim: - E como é que fica a preservação da natureza? Os deveres que o homem tem para com ela, a fim de que tenham condições para viver, trabalhar e amar? Este mandamento é muito mais antigo. O homem recebeu o jardim do Éden, que era o mundo, e Deus falou: “Cuida dele, é dele que tirarás o seu sustento e de sua família, sua saúde e sua tranquilidade (sem medo de feras”… Lembram da serpente?. Tudo é tão elementar, hem? Só faltou-me falar no “SERMÃO DA MONTANHA”, onde Jesus discorre sobre a misericórdia para com os pecadores, o que não praticam ou não praticaram os DEVERES HUMANOS.
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*Francisco Miguel de Moura,escritor, membro da APL,da UBE e da IWA, esta ultima associação com sede nos Estados Unidos.

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quinta-feira, 2 de março de 2017

S.O.S - FRANCISCO SANTOS


          Estamos um pouco desestimulados, pela evolução continuada da internet, oferecendo a cada dia mais opções aos internautas, portanto, blogs e algumas plataformas digitais perdem a cada dia o interesse do internauta. São vocês, leitores, colaboradores e comentaristas, que nos incentivam a continuar.
          Mas sentimos uma necessidade de atualizar o blog, diante do quadro de violência estarrecedora que vivemos na nossa sociedade. E lendo esse artigo do nosso conterrâneo e colaborador Chico Miguel, que tem tudo a ver com o momento que vivemos não só no Brasil, mas principalmente em Francisco Santos. Onde não temos mais o direito de ir e vir em paz, diante de tanta violência. Depois de uma chacina ocorrida há poucos meses, não solucionada e que deixa os filhos de Francisco Santos e principalmente, nós moradores a cada dia que passa mais apreensivos. Com as invasões diárias a propriedades e domicílios. Roubos, furtos e assaltos tem sido acontecimentos corriqueiros na antes pacata cidade, conhecida pela índole pacífica de seus moradores. Hoje em dia vivemos aterrorizados, na iminência de sermos assaltados a qualquer momento do dia ou da noite, pela falta absoluta de segurança.
          Quem imaginaria a alguns anos atrás Francisco Santos repleta de cercas eletrificadas? É lamentável constatarmos isso, mas é uma realidade que desejaríamos fugir, mas não podemos. Pois o Fórum da cidade foi fechado, encerraram as atividades numa atitude totalmente inexplicável pelas autoridades do Tribunal de Justiça. A delegacia deixou de funcionar há tempos e qualquer iniciativa que o cidadão precisar, terá que se deslocar para Picos e lá nem sempre tem as respostas as suas questões. 
          O policiamento da cidade é insuficiente e são totalmente despreparados, pra sermos generosos com a atuação do grupamento que faz a nossa (in)segurança.
          Diante do quadro em que vivemos, da total falta de segurança, da falta de respostas aos inúmeros crimes cometidos nos últimos meses:
01) Chacina na Areia Branca - Onde foram assassinados friamente uma mãe de família e seus filhos. A comunidade espera uma resposta das autoridades a este bárbaro crime, que caso não seja solucionado, pois compreendemos que a impunidade é a maior incentivadora do crime;
02) Assaltos ao Banco do Brasil - De 1 de Abril de 2013 até o momento, foram três assaltos violentos, com reféns. Tendo o ultimo ocorrido neste ano de 2017, e em nenhum dos assaltos a sociedade obteve alguma resposta da polícia, que não tem policiamento ostensivo, nem um serviço de inteligência que iniba este tipo de ação;
03) Invasões a domicílios e propriedades rurais tem sido frequentes em Francisco Santos nos últimos meses. E até o momento nenhuma solução em nenhum caso, nem do assalto ao BB que seria uma ação de quadrilhas organizadas, nem de quaisquer um dos muitos assaltos praticados por assaltantes/traficantes amadores contra moradores foram solucionados.

          Clamamos as autoridades constituídas. O governador Wellington Dias, através da Secretaria de Segurança, enviar mais policiais e os poderes municipais, através da Câmara Municipal, criando leis que inibam o crime, se for o caso, fazer um estudo de criação de uma Guarda Municipal. E ao Prefeito Municipal, envidar esforços ante o Governo Estadual, para conseguir mais policiamento, aumentando o efetivo. E no caso, da viabilidade da criação de uma guarda municipal, colocar em pratica. Pois, Francisco Santos pede socorro.


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“NÓS, POETAS DE 33” – JOANYR DE OLIVEIRA

Artigo Crítica Literária. Por Francisco Miguel de Moura – Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras


A novidade do nosso artigo acontece no planeta Brasília. E não é de política que tratamos. Lá também tem literatura, escritores, antologias de poemas, e tudo muito bom, do mais alto nível. Recentemente me chegou às mãos “Nós, poetas de 33”, Ed. Thesaurus, 2015, Brasília – DF, uma coletânea de treze poetas, nem todos residentes em Brasília, mas todos nascidos no ano de 1933. É uma novidade, uma publicação interessantíssima. Reúne os poetas Fernando Mendes Viana, Francisco Miguel de Moura, Heitor Martins, Hugo Mund Júnior, Joanyr de Oliveira (organizador), José Jerônymo Rivera, Lupe Contrim Garaude, Maria José Giglio, Miguel Jorge, Murilo Moreira Veras, Octávio Mora, Olga Savary e Walmir Ayala. A maioria deles passaram por Brasília, na vida, viveram em Brasília por algum tempo, ou moram em Brasília, como é o caso de Anderson Braga Horta – que eu considero um dos três ou quatro maiores poetas vivos do Brasil. E ele faz a biografia crítica de Fernando Mendes Viana, o poeta que abre a antologia. Que belo ensaio! A nota introdutória é do organizador, Joanyr de Oliveira, falecido em 05.12.2009, sem ver publicada a coletânea de poetas em que tanto se esmerou, encarregando-se de tudo. É ainda de Anderson Braga Horta, um apêndice em que retrata o amigo, o poeta e seu trabalho. E é graças a Anderson que a obra foi editada, isto mostra a generosidade dos dois amigos e poetas: Joanyr de Oliveira – Anderson Braga Horta.

Claro que não vamos poder trazer a bio-bibliografia completa de cada um, muito menos de todos, mas são nomes conhecidos em todo o país desde a década de 60, século XX é claro, e até hoje continuam sendo editados, reeditados, falados, amados e antologiados. Eu diria que esta é a terceira antologia dos poetas da Geração 1960, de que fala a escritora Lygia Fagundes Teles (USP) e quem primeiro escreveu sobre a geração. Depois é que veio Pedro Lyra, com “A poesia da geração 60”, obra datada de 1995.

As orelhas da antologia “Nós, poetas de 33” são de responsabilidade de Kori Bolívia, Presidente da ANE (Associação Nacional de Escritores). E ela registra: “Neste momento, completando cinco anos do falecimento de Joanyr, a Associação Nacional de Escritores, da qual ele foi sócio, fundador e presidente, sente-se orgulhosa por poder compartilhar seu respeito e seu amor pela poesia. Ao lado da Editora Thesaurus, a ANE faz questão de homenagear o poeta mineiro, o professor, o advogado, o funcionário público, o pastor, o membro da Academia de Letras do Brasil, da Academia Evangélica de Letras (RJ), da Writers International Association (EUA), da Academia de Letras de Brasília, da Academia de Letras de Taguatinga e do Instituto Histórico e Geográfico do DF”.

Anderson Horta escreveu, na última capa, que Joanyr de Oliveira foi um grande trabalhador literário. Além de sua consagração como poeta, publicou contos e um romance, escreveu crônicas que foram lidas na imprensa radiofônica, manteve colunas literárias na imprensa, dirigiu revistas, ajudou a criar academias. Pode-se dizer que alcançou também posição ímpar como antologista de poesia.

Não o tendo conhecido em pessoa, lembro que mantivemos correspondência e troca de livros durante anos. Tomei conhecimento dele através da ANE, depois recebi convite para participar desta Antologia. Não me lembro bem como se deu a seleção de meus poemas. Mas lhe credito o mérito da escolha entre os livros que eu publicara e foram enviados a ele. Gostei imensamente da seleção e recomendo-a para outras publicações. As seleções dos poemas dos demais participantes também são boas. Pelo que sei, não houve preferência entre os poetas que reuniu, visto que o comparecimento à antologia obedece rigorosamente à ordem alfabética. Fiquei em segundo lugar, mas acho mesmo que Fernando Mendes Viana era o poeta do momento em Brasília, talvez no Brasil. Pelo critério adotado, ganhou a abertura do livro. É um grande poeta. Dele, disse Anderson Braga Horta: “A poesia de Fernando Mendes Viana nasceu sob o signo da liberdade e sob esse mesmo signo floriu e frutificou. (…) Poesia de instrumentação forte e voz veementemente humana, transfunde-se no corpo verbal adequado a seu profundamente atual – porque eterno - pensar e sentir os problemas do homem, enquanto ser único e enquanto célula social, mas recusa-se a quaisquer semostrações pseudovanguardistas (…) Isto leva Mendes Viana, desde o primeiro livro, a discernir no poeta um ser prometeico, luciferino: um demiurgo, sim, mas um rebelado, orgulhoso em sua titânica solidão (ver, a propósito, os poemas ‘Lúcifer – a Grande Lua’ e ‘Auto-Epitáfio do Senhor da Noite’)” - eis aqui um trecho da apreciação de Anderson Braga Horta.

O planeta Brasília, com a ANE – Associação Nacional de Escritores – congregando poetas do nível dos antologiados por Joanyr de Oliveira - pode equiparar-se aos grandes centros do Sul-Sudeste, em cultura e compreensão da vida, do amor, da arte, de tudo quanto completa o ser humano na sua luta incessante para a grande aventura de afirmação.

Por fim, o livro nos contempla com uma relação dos poetas brasileiros nascidos em 1933. Pelo enorme espaço que ocupa, tomando duas páginas, citarei apenas alguns dos mais conhecidos: Nelson Saldanha (Recife-PE), Carlos Cunha (São Luís-MA), Mário Chamie (São Paulo-SP), Silveira de Sousa (Florianópolis-SC), Armindo Trevisan (Santa Maria – RS), Álvaro Pacheco (Jaicós – PI) e Nogueira Moutinho (São Paulo - SP).

Depois de o mestre Wilson Martins confirmar a falta do nascimento de novas Escolas Literárias e estabelecer a divisão, de agora em diante, por Gerações, a História da Literatura Brasileira vai no rumo certo. E a “Geração 60” contém todos os defeitos e qualidades de uma geração das mudanças que ocorrerram na vida social, continuamente e tão diversas. Mas é uma geração na qual permanecem os princípios da arte: a forma e o conteúdo como instrumentos para mostrar uma realidade tão conflitante e tão mutável, num conjunto de poetas e poemáticas que conservam o grande sentido da arte: reinventar a vida, a realidade. Ou seja: renovar sem esquecer o passado.

Toda essa direção está nas antologias que conheço e, como tal, em “Nós, poetas de 33”, de Joanyr de Oliveira. Que outras antologias surjam da nossa geração, para perpetuá-la ainda mais. Brasília já deu seu recado.

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PRISIONEIROS NO PRÓPRIO LAR



          Artigo de Chico Miguel.

          Neste momento cruciante da nossa vida civil e política, econômica e patriótica, somos submetidos às penas de prisão domiciliar, sem ter cometido nenhum crime, como vimos recentemente no Espírito Santo. E a população que se arriscava a sair à rua pra comprar alimentos ou remédios, entre outras coisas urgentes - como enterrar seus mortos – foi duramente, covardemente atacada por centenas de terroristas, por causa da greve dos militares que resolveram, em conluio com as mulheres respectivas, não saírem dos quartéis e, a mando dos superiores, cruzarem os braços. Todos nós vimos, horrorizados, pela internete, redes sociais e tevês, o flagelo da capital e de outras cidades serem ao mesmo tempo atacadas por desordeiros – por ordem de quem? - assaltando, fechando lojas e fábricas e matando os cidadãos que tiveram a desventura de serem mortos ou baleados e sem hospitais nem equipes de socorro que os atendessem. Justamente porque todos estavam no mesmo barco: sem terem a quem apelar, salvo a Deus.

          Se uma classe se volta contra a sociedade, isto se chama rebelião, não importa que declare ser para reivindicar direitos seus. Conforme está escrito na Constituição, os militares não podem fazer greve, muito menos se voltarem contra a sociedade. Pior é que colocaram suas famílias como escudo, entre os quartéis e a população. Situação bastante aflitiva para o Brasil. Todos nós sofremos e lamentamos a morte de cerca de 140 pessoas, no mês, em poucos dias. Ainda se fala, de certa forma, com grande pena, dos massacres nos presídios brasileiros - o mais recente acontecido no Rio Grande do Norte. Por conta da droga, do crime organizado, das brigas entre facções adotadas pelos próprios residentes dos presídios. Se comparada uma situação com a outra, é mais grave o que aconteceu no Espírito Santo.

          Chegamos à anarquia, ao começo da guerra civil de que tenho falado nos últimos artigos. Caminhamos pra ela. Vinha sendo sutilmente encenada pelos terroristas do MST, com apoio do governo que caiu e do líder maior do partido do poder, tudo em consonância com os barões da droga, PCC e outros partidos de tiranos e carniceiros que têm por lema, descaradamente: “TÁ TUDO DOMINADO”.

          Nós, cidadãos, defensores dos direitos humanos no seu verdadeiro sentido, somos os prisioneiros do nosso lar. Sem direito à defesa própria por uma arma. E, pior, sem a proteção das forças policiais que deveriam cumprir seu dever de guardar a sociedade contra os malfeitores. A gente não pode, como cristão, querer vingança contra eles, a menos que seja rigorosamente dentro da lei, da Constituição, que eles mesmo violaram de propósito, arrimados nas armas e na força que têm – que é outorgada por nós – e em ideologias alienígenas que trabalham contra tudo o que aprenderam no quartel: Amar o Brasil. Como se uma classe fosse o Brasil, um sindicato fosse o Brasil. Como as questões salariais pudessem ser resolvidas a ferro e fogo. Queremos o rigoroso cumprimento da lei diante de todos os implicados, inclusive as mulheres que lhes serviram de escudo. É preciso que os nossos governos mostrem quem são criminosos e merecem cumprir penas, tornando-se inimigos da sociedade. De acordo com o crime de cada um, a justiça deve legalmente puni-los. Não deixar brecha para que outras rebeliões aconteçam. Se assim não for, chegaremos ao fim da picada: seremos mortos, prisioneiros deles ou fugiremos como emigrantes, expatriados, etc.

          Diante dessa situação, já exposta em toda a imprensa brasileira, me vem à lembrança uma frase infeliz, não me lembro de qual autor, para dizer que ele foi muito infeliz colocando-a na testada de uma obra: “O melhor do Brasil é o brasileiro”. Se tivesse pensado mais teria dito como eu digo agora: “O MELHOR DO BRASIL É O BRASILEIRO QUE FOI EMBORA”. Sou crítico na prosa e na poesia. Assim, transcrevo um poema que fiz com o título SER BRASILEIRO: - “Quero ser brasileiro / me procuro no campo / de futebol e na pista de automóvel, / estou aqui, ali, acolá, além de lá, / mas não sou Deus nem diabo, / como o pão que ele amassou. / Sou vadio, não faço nada, / só samba e carnaval. / Samba, ora samba? / Carnaval, ora carnaval? / Eu queria encontrar-me brasileiro / na cor, no amor, na paixão. / No trabalho, neste não. / Brasileiro em todo lugar, / de todas as formas, / sem caráter nenhum.

// Corri mundo e não encontro: / Europa, Oceania e África, / Ilhas do Pacífico e Ásia, fui até o Himalaia / e não encontrei Brasil nem brasileiro.

// Disseram que ele se chama Washington, / foi pra América falar, inglês / e nunca voltará. // Como é difícil ser brasileiro!”

          Sou de uma época em que o nacionalismo predominava. A gente lia “Porque me ufano do meu país”, do Visconde de Ouro Preto. A gente se postava na frente do Colégio todos os dias de aula e cantava, com reverência, o Hino Nacional do Brasil. A gente lia a “História do Brasil”, de Rocha Pomba, onde, entre datas e textos dos acontecimentos mais importantes, via as figuras dos que fizeram o Brasil. Hoje voga o internacionalismo da moeda, dos bancos, do movimento financeiro, comércio e indústria mundiais, importando com tudo isto suas modas, seus cantores e ritmos, seu filmes dos bons aos mais estapafúrdios. Que fazer?

        Pegando uma carona em “O livro dos valores”, do Des. Francisco Meton, pg.113, o que lemos e aprovamos, por ser também o nosso pensamento: “Aqui (noBrasil) a raça não se distingue pela persistência de uma virtude conservadora. Não há um fundo moral comum. Posso acrescentar mesmo que não há dois brasileiros iguais. Sobre cada um de nós seria fútil erguer o quadro de virtudes e defeitos da comunhão. Onde está, mudando de ponto de vista, a nossa virtude social? Nem mesmo a bravura, que é a mais rudimentar e instintiva, nós a temos com equilíbrio e constância, e de um modo superior. A valentia aqui é um impulso nervoso. Veja as nossas guerras, de quanta cobardia nos enchem a lembrança!… Houve um tempo em que se proclamava a nossa piedade, a nossa bondade. Coletivamente, como nação, somos tão maus, tão histericamente, inutilmente maus!...” Embora seja uma citação retirada do livro “Canaã”, de Graça Aranha (diálogo entre Maciel e Milkau, personagens do livro), para o escritor Francisco Meton é aceitável a análise sobre o povo brasileiro. Assim, para nosso exame, são dois autores com a mesma interpretação. Um povo prisioneiro dos maus é um povo fraco, sem iniciativa, de débil caráter, sem patriotismo, sem futuro. O BRASIL NÃO É UM PAÍS DO FUTURO!

       
          Francisco Miguel de Moura, escritor, membro da Academia Piauiense de Letras. Escreveu os livros: Areias, Pedra em Sobressalto, Universo das Águas, Bar Carnaúba, Quinteto em mi(m), Sonetos da Paixão, Poemas Ou/tonais, Poemas Traduzidos, Poesia In Completa, Sonetos Escolhidos, Os Estigmas, Laços de Poder, Ternura, Dom Xicote, Miguel Guarani, Mestre e Violeiro, entre outras.

          Tem inúmeras postagens no blog e dispensa maiores apresentações. Ver textos de autoria do nosso grande poeta, clicando nos links em destaque, a seguir. (Poesias), (Todos Nós Tivemos O Nosso Rio), (Francisco Miguel de Moura - Discurso), (Rosidelma Fraga, sobre Chico Miguel), (Uma Crônica de Natal), (Falando Francamente).

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